domingo, 10 de outubro de 2010

Estação Terminal


Acordei, caminhei até à estaçao para apanhar o comboio q saía às 44. Desde a saída de casa até à paragem de comboio estavam os minutos contados, de forma a não estar aborrecida na estaçao à espera do comboio, nem de forma a chegar tarde demais e perde-lo.

- Alcantara - Santos - Cais Sodre
- Parti para o metro -

Para variar, as pessoas nao sorriam, tudo permanecia escuro, confuso, apressado e rotineiro. De pé, agarrada ao ferro da cabeceira dos bancos, lá estava eu a baloiçar à medida que o metro aumentava a velocidade. Na carruagem havia pessoas de todas as raças, pessoas bem vestidas, outras mais comodamente, muitos estudantes, alguns trajados, outros mais novos e com mochilas às costas. Encostados às portas dois espanhóis conversavam sobre futebol.

- Rossio - Martim Moniz

Entram mais uns tantos para a carruagem. Os bancos estavam todos ocupados e quase não haviam lugares de pé. Era o caos matinal a revelar-se cada vez mais aceso.

- Arreiro - Roma - Alvalade
Estava quase a sair daquele inferno de carruagem. Olhei novamente para o ecrã do telemóvel para ver as horas e estava tudo controlado, ainda eram 8:40h.
Ao fundo deparei-me com mais um dos muitos invisuais que percorrem as linhas confusas do metro de Lisboa a cantarolar, a bater com colheres em latas ou simplesmente a bater com a cana no chão, na esperança duma moeda de alguém bondoso.
Desta vez essa alma caridosa que falo foi um homem diferente dos habituais que sacam da carteira, tiram a moedinha preta mais pequena que está para lá perdida ou a ocupar espaço. Um homem que vende revistas da CAIS. Sim é isso mesmo! Ouvi a moeda a bater no fundo da caixa de latão do cego que agradecera instintivamente.
Todos sabemos o quão aborrecidas são essas pessoas que surgem nos sitios mais bizarros com essas revistas na mão a impingirem a sua compra que nos dizem ser para ajudar associações, para eles mesmos pois não têm sustento, etc etc. Mas desta vez esse tal vendedor ambulante de metro arrepiou-me.
Sim é verdade! Um dependente da sociedade ajudara um invisual que cantava no metro confuso e agitado da Grande Cidade de Lisboa.
Quebrou aquela minha manhã rotineira de Outubro... Um homem diferente, é isso.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Aprovação do novo acordo ortográfico

Fiquei completamente perplexa e indignada com a mais recente aprovação do Governo português em que este aprova o novo acordo ortográfico. Neste documento são suprimidos os hífenes, e aquelas tais letrinhas pelo meio de palavras como “óptimo” e “contacto” que serão abolidas como já há muito foram pelos nossos irmãos brasileiros. A aprovação deste documento tem como objectivo criar uma ortografia a ser usada por todos os países de língua oficia portuguesa que o venham a aprovar. No entanto, e resisto á mudança, talvez por elo intelectual à forma corrente da escrita. Aqui expresso a minha indignação em palavras sem meias medidas pois estou evidentemente contra a este acordo que leva praticamente ao afastamento da língua mãe.
Está certo que o documento não entra para já em vigor, existe ainda um período de transição de seis anos. Então mas e os anos passam! E depois desses seis anos como será? No emprego, na vida quotidiana e até quem escreve para o mundo sentirá uma diferença imensa. Já para não falar dos estudantes que terão que se adaptar claramente a esta nova escrita. Nos exames e até nos testes ao longo dos anos lectivos, haverão sempre aquelas dúvidas e hesitações ao empregar certas palavras. Hoje em dia, com o uso da língua portuguesa sem qualquer acordo feito, quem escreve bem e sem erros é de certa forma um aluno que se diferencia dos outros que evidentemente dão erros e têm uma baixa ou nenhuma sabedoria a nível ortográfico.
Li, um certo dia, que um estudante sem inclinação para o trabalho é como um esquilo na sua roda pois não faz qualquer progresso. Então, com a aprovação deste documento, como quererão um progresso, se o que acontece ultimamente é virar o mundo de pernas para o ar? Querem e impõem um progresso constante na vida dos portugueses, mas está visto que essa palavra não consta no balanço de desenvolvimento de Portugal.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sabedoria


É incrível quando olhamos em nossa redor e nos deparamos com uma sociedade em constante alvoroço onde as pessoas não possuem o mínimo de paz de espírito e se sentem em constante pressão e stress nas várias situações do dia como no trabalho ou na vida de casa. É inexplicável como não existe compaixão uns pelos outros e nem mesmo por si próprios. É certo que podemos traçar uma linha mas essa linha não sair recta como nós gostaríamos que fosse. A primeira reacção do ser humano é entrar em tensão e se irritar com o mais próximo e na verdade não repara que essa pessoa pode ter mais problemas que nós e que até o poderíamos ajudar mas como o ser humano não passa de um indivíduo egocêntrico apenas se preocupa consigo.
A persistência é que leva à perfeição. Então porque não mudar um pouco?
É natural que a mudança que o desafio representa nos assuste, no entanto está nas nossas mãos a escolha de aprender a fluir com as várias fases da mudança, não resistindo mas abrindo a mente e o coração para novas possibilidades de vida que vêm logo a seguir.
Se reflectirmos um pouco reparamos que quando estamos ocupados a servir, a cuidar, a amar, a zelar pelos outros, não há lugar ao vazio.
Um segredo muito importante para a vida é dar aquilo que queremos receber, por exemplo, queres mais riso e alegria na tua vida? Desenvolve o teu sentido de humor e traz boa disposição à vida dos outros. Queres mais paz? Faz mais paz no teu coração. Ajuda-te a ti próprio ajudando os outros.
O maior conhecimento aprende-se com a ciência da vida, com as suas próprias leis e a sabedoria é conhece-las e fazer delas o nosso guia.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Conto de natal

Faltavam 4 dias para a véspera de natal e o mundo inteiro ansiava a chegada do pai natal. As crianças contavam pela mão os dias para o tão esperado dia e pensavam nos presentes que tinham pedido na carta que enviaram ao pai natal e os mais graúdos começavam a tratar da ceia minuciosamente, as entradas, o tradicional bacalhau, o genuíno vinho e as apetitosas sobremesas.
Na Lepónia, o pai natal e os seus duendes continuavam com o seu árduo trabalho de finalizar todas as prendas pedidas pelas crianças de todo o mundo. Quando, o mensageiro do pai natal, chega perto dele e diz:
- Estive a dar uma vista de olhos lá por baixo e reparei num detalhe muito importante.
- Ora fala. - Diz o Pai Natal intrigado.
- É a crise do amor! Falta amor pelo mundo inteiro, só pensam nos presentes, na comida, na roupa que hão-de vestir no dia de natal, mas ninguém pensa no amor que nesta época tem que ser espalhado e transmitido uns pelos outros para que haja harmonia e felicidade nos corações das pessoas. – Fala o mensageiro.
- Já não bastava a crise que tem afectado países sem conta nos diversificados sectores, agora só me faltava esta, a crise do amor, onde já se viu? – Profere o Pai Natal zangado.
- Tem toda a razão. - Diz o mensageiro cabisbaixo.
- Está feito! Este ano não há Natal. Nesta época privilegia-se os afectos e a humanidade nem sabe o que isso significa. Duendes! Parem já com o trabalho, estão de folga até que a população entenda o sentido desta quadra.
O dia de natal tinha chegado e as crianças encontravam-se a dormir tranquilas e ansiosas nas suas camas. A luz do sol acordava-as devagar sem as incomodar muito. Elas iam abrindo os olhos docemente e corriam para junto da árvore de natal que, por espanto, estava vazia.
As famílias de todo o mundo estavam intrigadas e impacientes por saber o porquê daquela situação. Estas começavam a discutir e a zangarem-se umas com as outras. No cimo das árvores de natal, junto à estrela, encontrava-se um papel brilhante, deixado pelo pai natal, que continha uma frase sugestiva e racional para que cada uma das famílias entendesse o verdadeiro significado desta época, e não cometesse o mesmo erro no ano seguinte.
Após várias reflexões as pessoas repararam no quão erraram e como forma de aprendizagem, começaram a abraçar-se umas às outras e a dizer aos seus pequeninos que gostam muito deles.
O pai natal ao visualizar aquele manto de amor rasga um sorriso e sente-se repleto de alegria.
- Eles aprenderam a lição. - Afirma um dos duendes.
- É verdade. Dá cá um abraço amigo.
- Feliz Natal Patrão. - Declara o Duende.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Portugal e a crise

Portugal vive actualmente num panorama de crise que tem vindo a desproporcionar-se constantemente. Deparo que esta situação chegou a um tal ponto que não posso deixar de falar. Ao olhar para o que se passa em Portugal não é novidade nenhuma que este se encontra mergulhado em instabilidade. A tudo isto culpa-se o petróleo que tem aumentado gradualmente e as gasolineiras por aproveitarem-se da situação, o que num mercado livre, com a lei da oferta e da procura, seria natural. Já para não falar da economia que tem vindo a deteriorar-se ao longo dos tempos.
O consumo das famílias está em desaceleração e as exportações podem deprimir o que provavelmente levará a uma estagnação da economia portuguesa até ao final do ano.
Mas se recuarmos um pouco no tempo e nos relembrarmos da crise do século XIV deparamo-nos com a fome, peste e guerra. Esses sim eram factores fortes de uma crise forte. Hoje em dia, está certo que existem doenças graves mas o dinheiro comanda a vida, e quem o possuir consegue ter uma saúde de ferro. Na época da crise do século XIV, a medicina estava muito pouco desenvolvida e as pessoas pensavam que a peste era um castigo enviado por Deus. A única medida aconselhada era limpar o corpo com vinagre, o que hoje em dia nem sequer nos passa pela cabeça pois possuímos medicina muito mais avançada e cara também. Mas, já os deputados, não passam fome nem sequer sabem o significado dessa palavra. E a guerra? Seria de veras horrível viver em clima de guerra. A humanidade fechada em casa a acordar com o barulho que vem la de fora enquanto o medo as domina. Esses factores acima referidos são veramente fortes que demonstram o que é uma verdadeira crise.
Pior do que qualquer crise é perder-se a esperança. E para o evitar não bastam frases à Obama do "sim, conseguimos".
É decisivo que em Portugal se sinta mais democracia mas sobretudo, precisamos de homens capazes de a implantar.
Portugal já não existe. Aquele Portugal do povo nobre, nação valente, de conquistadores e aventureiros, isso já morreu há muito tempo.